segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Entre Irmãs


Direção: 
Breno Silveira
Roteiro: 
Patrícia Andrade baseado no livro de Frances de Pontes Peebles
Elenco: 
Nanda Costa
Marjorie Estiano
Rômulo Estrela
Julio Machado
Letícia Colin
Cyria Coentro
Bruno Pêgo
Claudio Jaborandy
Rita Assemany
Ângelo Antônio
Fábio Lago



Sinopse:
Nos anos 30, duas irmãs separadas pelo destino enfrentam o preconceito e o machismo, uma por parte da alta sociedade na cidade grande, e a outra de um grupo de renegados no interior. Apesar da distância, elas sabem que uma só tem a outra no mundo e cada uma, à sua maneira, vai se afirmar de forma surpreendente.








Minha Opinião:
'Entre Irmãs' é um filme feminino. Um épico folhetinesco, com romances e dramas exarcebados, que talvez nas mãos de um realizador menos talentoso, poderia soar como melodrama.
Mas o diretor Breno Silveira é habilidoso e consegue construir uma estrutura crível, graças a uma conjunção de fatores favoráveis. 
O livro de Frances Peebles, "A Costureira e o Cangaceiro", é baseado em longa pesquisa de fatos e hábitos do Recife dos anos 1930, onde as mudanças do mundo moderno e urbano colidiam com a rudeza do sertão, de forma ainda mais contundente que hoje em dia. Simbólica é a bela cena da passagem do dirigível Graf Zeppelin pela capital.
O roteiro de Patrícia Andrade dá vozes mais contemporâneas às personagens, tornando os dramas mais compreensíveis pelas plateias atuais, ainda que pareçam um pouco deslocados. Não faltam exemplos de diálogos que ficariam perfeitamente bem no nosso século.
O elenco é outro grande acerto, todos estão excelentes, a começar pelas irmãs.
Nanda Costa constrói brilhantemente sua Luzia a partir de uma deficiência física, que a limita e tira a confiança, mas não esmaece sua forte personalidade. Sua interpretação vai do carinhoso ao visceral sem escalas.
Marjorie Estiano tem em Emília uma personagem mais rica em contrastes, mas de construção essencialmente contemporânea. Especialista em moda, compreensiva com as sexualidades, com certa independência emocional, predicados aparentemente incompatíveis para uma moça criada no sertão do começo do século 20. Mas, talvez até por isso, facilita a identificação com o espectador.
Todos os personagens secundários têm tempo de desenvolver suas histórias. Não há personalidades unidimensionais, todos apresentam várias camadas. Júlio Machado, o cangaceiro idealista; Letícia Colin, a socialite sofisticada e além do seu tempo; Cyria Coentro, a tia sábia; Rômulo Estrela, o marido enrustido e Claudio Jaborandy, o sogro de ideias racistas.  
Tecnicamente o filme é irrepreensível. Fotografia, direção de arte, figurinos, som estão muito acima da média. 
Especialista em tear-jerkers, Silveira sabe usar a música - de Gabriel Ferreira - a favor da emoção e apertar os botões certos para nos encurralar até as inevitáveis lágrimas em vários momentos. Fez bem em não apressar o passo para reduzir as quase três horas de duração, necessários para o desenvolvimento correto de tantas tramas concomitantes.
Este é um filme que já nasce clássico e merece ser adotado pelo grande público. Quem assistir não vai se arrepender da viagem.



Brasil 2017 - Duração: 160 minutos
Distribuição: Sony / H2O - Gênero: drama
Data de estreia: 12/10/17






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