quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Corpo Elétrico


Direção: Marcelo Caetano
Roteiro: Hilton Lacerda, Marcelo Caetano e Gabriel Domingues.
Elenco: 
Kelner Macêdo
Lucas Andrade
Welket Bungué
Ana Flavia Cavalcanti
Ronaldo Serruya
Marcia Pantera
Mc Linn da Quebrada
Henrique Zanoni
Evandro Cavalcante
Nash Laila
Georgina Castro
Dani Nefussi
Ernani Sanchez
Rodrigo Andreolli
Daniel Torres
Teka Romualdo
Emerson Ferreira
Nathalia Ernesto
Júlio Silvério

Kiara de Paula



Sinopse:
Elias (Kelner Macêdo) é o jovem criador de uma fábrica de confecção roupas no centro de São Paulo. Ele mantém pouco contato com a família na Paraíba, e passa seus dias entre o trabalho e os encontros com outros homens. Enquanto reflete sobre as possibilidades de futuro, começa a ficar cada vez mais próximo dos colegas da fábrica, e vê os amigos seguirem caminhos diferentes dos seus.



Minha opinião:

Elias não gosta muito de máquinas, ele prefere gente. A partir dessa premissa aparentemente simples, os roteiristas desenvolvem um dos filmes mais originais e vívidos dos últimos anos. 
A originalidade está em não ser formulaico, não cria grandes conflitos, não há ciúmes, não há vilões, não há tragédias, nem sequer turning points, mas sobra alegria, calor humano, diversidade, sensualidade e bons sentimentos.
A confecção onde a maior parte das personagens trabalha o dia todo é cinza, impessoal e barulhenta, mas Elias é o catalisador da aproximação entre os colegas tão diferentes entre si e unidos pelo acaso.
Por ser o funcionário mais graduado, a empresa não vê com bons olhos sua relação com os demais empregados e procura estimular sua ambição de crescimento, mas, como já disse, Elias prefere gente.
Elias é um estilista de 23 anos, gay, vindo da Paraíba para São Paulo, onde teve uma relação séria com um professor mais velho, de quem se mantém muito próximo. Ele perdeu o contato com seus familiares e talvez por isso se apegue tanto às pessoas. 
Seu intérprete, Kélner Macêdo, entende muito bem a personagem, talvez por terem diversos pontos em comum e imprime uma verdade comovente, que transborda dos seus olhos numa daquelas combinações raras e perfeitas que só o cinema pode produzir.
O diretor Marcelo Caetano demonstra sensibilidade ao desenvolver brilhantemente cada personagem, mesmo os mais periféricos, sejam as drag-queens ou os patrões, seja o ex-namorado ou os amantes eventuais, todos têm sua humanidade exposta.
O resultado final é muito otimista, o que pode dar a impressão de que o roteiro edulcorou a realidade, afinal "todos sabem" que os gays, os negros, os estrangeiros, os evangélicos são discriminados e vivem isolados em suas ilhas cercadas de ódio. Mas, na verdade, isso não é a regra, o ser humano pode sim coexistir harmonicamente... como Elias nos mostrou.
O cinema precisa de mais filmes como 'Corpo Elétrico' e o mundo precisa de mais amor. Simples assim.
  


Brasil 2017 - Duração: 94 minutos
Distribuição: Vitrine - Gênero: drama
Data de estreia: 17/08/17








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