quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Como Nossos Pais


Direção: 
Laís Bodanzky
Roteiro:
Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi
Elenco: 
Maria Ribeiro
Clarisse Abujamra
Paulo Vilhena
Jorge Mautner
Hérson Capri
Felipe Rocha
Annalara Prates

Sophia Valverde


Sinopse:
Rosa (Maria Ribeiro), 38 anos, é uma mulher que se encontra em uma fase peculiar de sua vida, marcada por conflitos pessoais e geracionais: ao mesmo tempo em que precisa desenvolver sua habilidade como mãe de suas filhas, manter seus sonhos, seus objetivos profissionais e enfrentar as dificuldades do casamento, Rosa também continua sendo filha de sua mãe, Clarice (Clarisse Abujamra), com quem possui uma relação cheia de conflitos.


Minha Opinião:
A partir de uma boa sinopse, o casal de roteiristas acrescenta histórias paralelas, que em vez de enriquecer as personagens, dissolvem a trama central. Detalhes políticos absolutamente desnecessários, como o fato da personagem de Hérson Capri ser um ministro da Casa Civil - um cargo bastante polêmico no Brasil - é sintomático desses escorregões. O viés de esquerda do grupo parece ser incompatível com seu estilo de vida. Em menor grau, vários outros personagens secundários são mal desenvolvidos. 
A cena inicial é típica do cinema francês, com a família reunida no quintal para um almoço onde as mágoas são o prato principal é quase um clichê, mas que funcionaria bem, se melhor conduzida.
O que segura a atenção é o elenco empenhado e coeso. A química entre Ribeiro e Abujamra, como mãe e filha, é notável. A tensão entre as duas é a melhor coisa do filme.
Um filme que alterna ótimos momentos com outros que soam deslocados, mas que ao final, vale o ingresso.



Brasil 2017 - Duração: 102 minutos
Distribuição: Imovision - Gênero: drama
Data de estreia: 31/08/17







quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Bingo - O Rei das Manhãs


Direção: 
Daniel Rezende
Elenco: 
Vladimir Brichta
Leandra Leal
Augusto Madeira
Ana Lucia Torre
Tainá Müller
Emanuelle Araújo
Cauã Martins
Soren Hellerup
Raul Barreto
AtorPedro Bial
Domingos Montagner
Ricardo Ciciliano



Sinopse:
Augusto, um artista que sempre sonhou com seu lugar sob os holofotes, finalmente tem sua grande chance ao se tornar Bingo, um palhaço apresentador de um programa infantil de televisão que é sucesso absoluto. Uma cláusula no contrato não permite revelar quem é o homem por trás da máscara, produzindo em Augusto a frustração de ser o homem anônimo mais famoso do Brasil. Uma surreal história sobre a busca de um homem pelo reconhecimento de sua arte.



Meu Comentário:
Daniel Rezende, editor indicado ao Oscar por 'Cidade de Deus', escolheu muito bem o argumento de sua estreia na direção de longas. A história dos abusos do intérprete do Bozo correm há muitos anos como uma lenda urbana. Recuperar esta história era uma grande ideia a espera de quem a levasse às telas. 
O roteirista Luiz Bolognesi tem evoluído como um bom contador de histórias, seus roteiros são tecnicamente bem amarrados, ainda que esquemáticos. Ao mudar os nomes das personagens, ele ganhou liberdade para alterar a realidade em nome da eficiência do script. 
O erro da maioria das cinebiografias costuma ser condensar toda a vida do biografado em menos de duas horas, vide 'Elis' do próprio Bolognesi. Em 'Bingo' funciona bem a ideia de centrar a história num curto período de tempo, já que a ascensão e queda da personagem ocorreram rapidamente.
A produção, trilha, direção de arte e figurinos é muito caprichada. A recriação dos anos 1980 nos provocam a memória afetiva desde os pequenos detalhes de cena e criam um vínculo com a história.
Destaque-se a espetacular atuação de Vladimir Brichta, brilhante até sob a pesada maquiagem do palhaço, graças a uma bem estudada composição corporal. Outra boa atuação é de Augusto Madeira como o câmera, um eficiente alívio cômico.
Mas o maior mérito é mesmo da direção de Rezende, que consegue impor sua personalidade às cenas, curiosamente repleta de longos e elaborados planos sequência, o que não se esperaria a princípio de um editor. Ao migrar da ilha de edição para a cadeira de diretor, ele tem a exata dimensão do que deve ser filmado.
'Bingo' funciona muito bem como diversão e como drama. Um passo adiante do cinema brasileiro.




Brasil 2017 - Duração: 113 minutos
Distribuição: Warner - Gênero: drama
Data de estreia: 24/08/17






A Finada Mãe da Madame


Direção: 
Bernard Attal
Elenco:
Rafael Medrado
Andrea Nunes
Ângela Vieira
Joao De Lima Neto
Harildo Deda
Bertrand Duarte


Sinopse:
1970, Bahia. Lúcio (Rafael Medrado) volta para casa de madrugada, fantasiado e bêbado e Terezinha (Andrea Nunes), sua esposa, fica chateada. Os dois estão brigando até que Prudêncio (João Lima) chega com a notícia de que a mãe de Terezinha faleceu.


Brasil 2017 - Duração: 72 minutos
Distribuição: Santa Luzia Filmes - Gênero: comédia
Data de estreia: 24/08/17





Um Filme de Cinema



Direção: 
Walter Carvalho
Entrevistados:
Bela Tarr
Júlio Bressane
Gus Van Sant
Zhang-ke Jia
Lucrecia Martel
José Padilha
Ruy Guerra
Ken LoachAriano Suassuna
Karim Aïnouz
Andrzej Wajda
Héctor Babenco
Asghar Farhadi
Bence Fliegauf
Salvatore Cascio


Sinopse:
Um cinema abandonado e em ruínas no interior da Paraíba é o cenário inicial de um filme sobre o cinema, que viaja nos depoimentos do romancista e dramaturgo Ariano Suassuna e de inúmeros cineastas, como Bela Tarr, Júlio Bressane, Ruy Guerra, Jia Zhang-ke e Karim Aïnouz. Eles discutem questões sobre a linguagem cinematográfica: como atingir a verdade? O cinema deveria ser realista ou privilegiar o falso? Qual é o papel da objetividade na hora de filmar? Como explorar o som? Qual é a diferença de usar planos longos em relação aos curtos?


Brasil 2017 - Duração: 108 minutos
Distribuição: Art House - Gênero: documentário
Data de estreia: 24/08/17





quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Doidas e Santas

Direção: 
Paulo Thiago
Elenco: 
Maria Paula
Georgiana Góes
Nicette Bruno
Marcelo Faria
Flávia Alessandra
Jonas Bloch
Thiago Fragoso
Fernando Caruso
Zeca Carvalho
Iván Espeche
Priscila Fantin
Roberto Bonfim
Charles Fricks
Silvio Guindane
Cinara Leal
Raphael Logam
Luana Maia
Samantha Schmütz


Sinopse:
Beatriz (Maria Paula) é terapeuta de casais, mas está enfrentando problemas no seu relacionamente com o marido, Orlando (Marcelo Faria), e familiares. A psicanalista percebe o seu problema pessoal e decide fazer mudanças. para experimentar um mundo até então desconhecido.


Minha Opinião:
Muito se reclama das comédias nacionais no cinema, mas da maioria delas é possível extrair algumas qualidades que até valem o ingresso. Não é o caso aqui.
Baseado num livro e numa peça de sucesso, o resultado é, no mínimo, constrangedor.
Começa pela escolha da protagonista, Maria Paula, desprovida de carisma, dá impressão de ser a alternativa barata, depois que, por exemplo, Cissa Guimarães - a protagonista da peça - recusasse o papel. 
Mas graças à péssima direção, todo o elenco está fora de tom. Os piores momentos são os protagonizados pela personagem da filha adolescente - a histérica Luana Maia - e a sequência do grotesco personagem de Fernando Caruso, que poderia ter simplesmente recusado o trabalho.
Tecnicamente, a produção até provê os elementos mínimos para fazer um filme, com direção de arte, fotografia e som corretos, mas não há como perdoar a escolha do diretor.
Responsável pelo roteiro e a direção, o veterano Paulo Thiago não é capaz de acertar um único enquadramento, um único corte. A mise-en-scène é uma verdadeira aula master do que não fazer num filme. É curioso notar como os figurantes nunca sabem se comportar nas cenas, como as bailarinas de programas de auditório que estão sempre sorrindo e dançando, independente do que acontece em primeiro plano. 
Os cortes são truncados, acelerando e tirando qualquer fluência da ação. Os diálogos são pobremente desenvolvidos com piadas antiquadas e personagens invariavelmente caricatos.
Um desastre. Um daqueles filmes que não deveria existir.




Brasil / Argentina 2017 - Duração: 90 minutos
Distribuição: Imagem - Gênero: comédia
Data de estreia: 24/08/17









quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Viva o Cinema!


Direção: Paulo Pastorelo
Entrevistados: 
Costa-Gavras
Nathalie Bourgeois
Alain Bergala


Sinopse:
Através do programa internacional "Le Cinéma, cent ans de jeunesse", promovido pela Cinemateca Francesa, crianças do 5º ano da Escola Carlitos, em São Paulo, tiveram a oportunidade de experimentar o encontro do cinema com a arte em um ateliê que promove a vivência cinematográfica.


Brasil 2017 - Duração: 85 minutos
Distribuição: própria - Gênero: documentário
Data de estreia: 17/08/17








El Mate


Direção: Bruno Kott
Elenco: 
Fábio Marcoff
Bruno Kott
Vadim Nikitim
Mauro Baptista Vedia
Michelle Boesche
Rodrigo Fregman
Eduardo Gomes

Carlota Joaquina


Sinopse:
Uma noite na vida de Armando, um assassino de aluguel portenho que vive sozinho numa estranha casa no centro de São Paulo. É nesse lugar que Armando mantém sua encomenda, um russo que aguarda amarrado e espancado os mandantes do sequestro chegarem. 



Brasil 2017 - Duração: 70 minutos
Distribuição: Filmes de Vagabundo - Gênero: drama
Data de estreia: 17/08/17








O Homem que Matou John Wayne


Direção: Bruno Laet e Diogo Oliveira 
Entrevistados:
Ruy Guerra
Werner Herzog
Chico Buarque de Hollanda
Gabriel García Márquez
Michel Ciment

Julio Adrião


Sinopse:
O cineasta e autor Ruy Guerra imagina um encontro inesperado com John Wayne. Revoltado contra este ícone do imperialismo americano, o diretor moçambicano agride o astro e acaba causando a sua morte. Esta é a porta de entrada para uma viagem fantástica através da obra e das entrevistas de Guerra, desde os primeiros filmes até suas produções mais recentes.



Brasil 2016 - Duração: 70 minutos
Distribuição: Pandora - Gênero: documentário
Data de estreia: 17/08/17








Corpo Elétrico


Direção: Marcelo Caetano
Roteiro: Hilton Lacerda, Marcelo Caetano e Gabriel Domingues.
Elenco: 
Kelner Macêdo
Lucas Andrade
Welket Bungué
Ana Flavia Cavalcanti
Ronaldo Serruya
Marcia Pantera
Mc Linn da Quebrada
Henrique Zanoni
Evandro Cavalcante
Nash Laila
Georgina Castro
Dani Nefussi
Ernani Sanchez
Rodrigo Andreolli
Daniel Torres
Teka Romualdo
Emerson Ferreira
Nathalia Ernesto
Júlio Silvério

Kiara de Paula



Sinopse:
Elias (Kelner Macêdo) é o jovem criador de uma fábrica de confecção roupas no centro de São Paulo. Ele mantém pouco contato com a família na Paraíba, e passa seus dias entre o trabalho e os encontros com outros homens. Enquanto reflete sobre as possibilidades de futuro, começa a ficar cada vez mais próximo dos colegas da fábrica, e vê os amigos seguirem caminhos diferentes dos seus.



Minha opinião:

Elias não gosta muito de máquinas, ele prefere gente. A partir dessa premissa aparentemente simples, os roteiristas desenvolvem um dos filmes mais originais e vívidos dos últimos anos. 
A originalidade está em não ser formulaico, não cria grandes conflitos, não há ciúmes, não há vilões, não há tragédias, nem sequer turning points, mas sobra alegria, calor humano, diversidade, sensualidade e bons sentimentos.
A confecção onde a maior parte das personagens trabalha o dia todo é cinza, impessoal e barulhenta, mas Elias é o catalisador da aproximação entre os colegas tão diferentes entre si e unidos pelo acaso.
Por ser o funcionário mais graduado, a empresa não vê com bons olhos sua relação com os demais empregados e procura estimular sua ambição de crescimento, mas, como já disse, Elias prefere gente.
Elias é um estilista de 23 anos, gay, vindo da Paraíba para São Paulo, onde teve uma relação séria com um professor mais velho, de quem se mantém muito próximo. Ele perdeu o contato com seus familiares e talvez por isso se apegue tanto às pessoas. 
Seu intérprete, Kélner Macêdo, entende muito bem a personagem, talvez por terem diversos pontos em comum e imprime uma verdade comovente, que transborda dos seus olhos numa daquelas combinações raras e perfeitas que só o cinema pode produzir.
O diretor Marcelo Caetano demonstra sensibilidade ao desenvolver brilhantemente cada personagem, mesmo os mais periféricos, sejam as drag-queens ou os patrões, seja o ex-namorado ou os amantes eventuais, todos têm sua humanidade exposta.
O resultado final é muito otimista, o que pode dar a impressão de que o roteiro edulcorou a realidade, afinal "todos sabem" que os gays, os negros, os estrangeiros, os evangélicos são discriminados e vivem isolados em suas ilhas cercadas de ódio. Mas, na verdade, isso não é a regra, o ser humano pode sim coexistir harmonicamente... como Elias nos mostrou.
O cinema precisa de mais filmes como 'Corpo Elétrico' e o mundo precisa de mais amor. Simples assim.
  


Brasil 2017 - Duração: 94 minutos
Distribuição: Vitrine - Gênero: drama
Data de estreia: 17/08/17








João: o Maestro


Direção: Mauro Lima 
Elenco: Alexandre Nero
Alinne Moraes
Rodrigo Pandolfo
Davi Campolongo
João Pedro Germano
Ondina Clais
João Carlos Martins
Giulio Lopes
Gia Skova
Tricia Parks
Kevin Sebastian
Al Bernstein
Caio Laranjeira
Todd Blood
Alexandra Tebano

Eveline Suter


Sinopse:
Quando criança, João Carlos Martins foi considerado um prodígio do piano. Aos poucos, sua fama ganhou os noticiários e levou o músico à Europa e a outros países da América do Sul. Estabelecido como pianista de sucesso, na fase adulta, sofre um acidente que prejudica o movimento da mão direita. João tenta se reestabelecer e, enquanto isso, apresenta-se em concertos para uma mão só. No entanto, um segundo acidente retira os movimentos da mão esquerda, o que faz com que ele, mais uma vez, tenha que se reinventar.



Brasil 2017 - Duração: 116 minutos
Distribuição: Sony - Gênero: biografia / drama
Data de estreia: 17/08/17










quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Malasartes e o Duelo com a Morte



Direção: Paulo Morelli 
Elenco: 
Jesuíta Barbosa
Julio Andrade
Leandro Hassum.
Ísis Valverde
Vera Holtz
Milhem Cortaz
Luciana Paes
Julia Ianina
Augusto Madeira


Sinopse
Pedro Malasartes (Jesuíta Barbosa) é um malandro que, por mais que seja apaixonado por Áurea (Ísis Valverde), não resiste a um rabo de saia. Devendo muito dinheiro a Próspero (Milhem Cortaz), irmão de sua amada, Malasartes precisa escapar dele ao mesmo tempo em que prega peças, sempre usando a inteligência, de forma a conseguir alguns trocados. Só que seu padrinho, a Morte (Julio Andrade) em pessoa, tem outros planos para ele.


Brasil 2017 - Duração: 110 minutos
Distribuição: Downtown/Paris - Gênero: comédia / antasia
Data de estreia: 10/08/17 







quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Deixa na Régua


Direção: Emílio Domingos


Sinopse
Um corte de cabelo estiloso pode representar muita coisa. O dia a dia movimentado das barbearias da zona norte é retratado com leveza e graça, a partir de depoimentos dos jovens que as frequentam. Nas mãos dos babeiros Belo, Deivão e Edi, eles vão mostrar como esses estabelecimentos se tornam um espaço de sociabilidade e de debate sobre diversos assuntos. 


Brasil 2017 - Duração: 73 minutos
Distribuição: Osmose - Gênero: documentário
Data de estreia: 09/08/17  (somente no Rio de Janeiro)