sexta-feira, 14 de julho de 2017

Fala Comigo


Estreia: 13 de julho de 2017
Brasil 2017 
Drama 92'
Direção e Roteiro: Felipe Sholl 
Elenco: Tom Karabachian, Karine Teles, Denise Fraga, Emílio de Mello, Anita Ferraz, Daniel Rangel, Manoela Dexheimer.



Sinopse:
Diogo (Tom Karabachian) tem um estranho fetiche: ele sente prazer ao ligar para as pacientes de sua mãe, Clarice (Denise Fraga), que é terapeuta. Certo dia, ele liga para Ângela (Karine Teles), uma mulher de 43 anos que acaba de se separar do marido. Os dois iniciam uma complicada relação pelo telefone, repleta de curiosidade e de silêncio.



Minha Opinião:
Uma história de amor sempre envolve conquista e sedução, 'Fala Comigo' vai além da superfície para explorar os jogos de poder que envolvem uma relação assimétrica entre um adolescente de 17 anos e uma mulher de 43..
O filme conta a história do filho de uma terapeuta (Denise Fraga), Diogo (Tom Karabachian), que tem o hábito de masturbar-se ao telefonar para as pacientes da sua mãe, catalogando cuidadosamente suas experiências. Numa dessas ligações, depara-se com a Ângela (Karine Teles), uma mulher fragilizada por sua recente separação, com quem eventualmente se envolve.
A mulher vê no rapaz o elo perdido com sua juventude interrompida pelo casamento, o menino vê nela a chance de pular etapas no amadurecimento, direto para o mundo adulto.
Mas é difícil definir quem manipula quem. Tanto ela usa sua independência e maturidade sexual para atraí-lo, como ele parece ciente de sua escolha. Detalhes do roteiro como seu hábito de leitura, que inclui Freud, mostram que o garoto sabe o que está fazendo.
Conforme o relacionamento deles evolui, o mundo aos eu redor começa a desmoronar. As expectativas dos pais e dos amigos se frustram com a entrada da intrusa, e eles acabam demonstrando indisfarçável preconceito. Esse sentimento acaba contagiando os próprios espectadores, que não ficam imunes à proposta.
Mas o incômodo que o filme deixa advém de nossos preconceitos individuais. Haverão os que se incomodarão por um ou outro lado. Eu tomei inadvertidamente o lado dos pais, quando me dei conta, torcia para que o casal logo se separasse. Foi o desconforto que me causou que me incomodou. Isso é uma ótima premissa para um cinema de qualidade, aquele que não nos deixa em nossa zona de conforto.
Não dá para ignorar que existem alguns hiatos desnecessários, que tornam o filme menos enxuto e poderiam ser evitados na edição, mas diversas cenas especialmente bem construídas nos fazem relevá-los. Apesar de ser um filme essencialmente de roteiro, o diretor estreante Felipe Sholl consegue imprimir sensibilidade e deixar sua marca autoral em vários momentos, especialmente quando a câmera se desvia do óbvio para concentrar-se na emoção e na sexualidade, sem precisar ser explícito ou banal.
Premiado como melhor filme e atriz no último Festival do Rio, é o começo promissor para um jovem cineasta com algo a dizer.










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